quinta-feira, março 07, 2013


O Império do Efêmero: A moda e seu destino nas sociedades modernas

Vivemos na era do efêmero, onde tudo é feito para durar enquanto for lucrativo, enquanto for vendável. Mergulhados numa cultura de massa televisiva impulsionada por estímulos visuais perguntamo-nos com uma certa freqüência:… Ham? é? … ? Na verdade não nos perguntamos mais; é o que afirmam muitos críticos.





Pelo que dizem por aí estamos estagnados numa sociedade onde o senso crítico foi substituído por uma relação viciante com a televisão. Seria isso verdade? Segundo o filósofo Gilles Lipovetsky a situação não é bem essa… É verdade que a televisão apresenta-nos uma série de informações rápidas, rasteiras e muito pouco profundas. Porém chegar ao ponto de afirmar que ela fez com que nosso senso crítico fosse exaurido, além de ser um exagero, seria simplificar demais sua influência enquanto veiculo disseminador de informações.

Numa sociedade de amplo consumo, inclusive cultural e que gera inúmeras ‘paixonites’ de massa, principalmente entre adolescentes que visam construir uma identidade própria encontramos a moda, e a ‘moda arte’ do mass media não só como um instrumento de alienação, como uma prisão existencial particular, mas também como mecanismo de liberdade individual. Pois é certo que nos vestimos de acordo com aquilo que gostaríamos de ser. Já que nunca poderemos ser, contentamo-nos com a aparência. Aderimos ou até construímos um determinado estilo a fim de nos destacarmos da maioria, de nos diferenciarmos do padrão. Construímos nossa identidade a partir da imagem que escolhemos representar, ou não?

No que diz respeito a industria cultural, é certo que segue as últimas tendências da moda: velocidade, movimento, sucessão de imagens aleatórias que ao mesmo tempo atordoam, hipnotizam e divertem, como num vídeo-clipe. Nossas existências individuais são inseridas num contexto de diversão virtual efêmera, onde a indústria multiplica a produção do ‘comum’, do sucesso que está na moda, na intenção de obter mais lucros. Tudo o que é novo já vem carregado com estereótipos, características e modelos que ‘deram certo’, uma prova disso são os ‘episódios piloto’ ou os CDs single.

E se emplacar vira filme, série de TV, brinquedo, jogo de videogame, caderno, lancheira, mochila… Mais é certo que muitos sucessos já nascem, fadados ao fim, basta lembrar das várias ‘éguinhas pocotós’. Num momento da existência em que predomina a cultura de movimento procura-se a todo custo afastar-se do letárgico, do tradicional, do antigo, celulares são um bom exemplo disso.

Nossa ‘alienação espectadora’ foi substituída por uma certa ‘dessimplicação’ que se dá a uma ‘distância divertida’, tudo dentro de um certo padrão, um certo gosto, um a certa moda. Tudo muda muito pouco, e o que muda jamais afronta as estruturas estabelecidas. Seria como um movimento quase estático que muda tão pouco que não chega a impactar.

Um ótimo exemplo da cultura de consumo é o fast sex cujo qual representa o gênero ‘pornô’. Num ambiente de vídeo-clipe alteram-se os pênis e as vaginas, as posições e os cenários, mais a mecânica do sexo é a mesma. Nesse sentido, o pornô é um clip do sexo como o clip é um pornô videomusical.(p.213).

Nesse contexto ‘midiático’ o cinema torna-se uma fábrica de estrelas e essas estrelas transformam-se rapidamente em líderes de moda. Hoje num determinado filme ou programa de TV a atriz ou o ator principal usa um determinado tipo de roupa, amanhã virou moda e em estantes pode tornar-se ridículo. Mulheres com seios espalhafatosos deram um impulso incomensurável a indústria da cirurgia plástica. Outras com bundas grandes e cérebros pequenos tornam-se um fenômeno da noite para o dia, passam a apresentar programas, cantar, dançar e principalmente ditar padrões de moda.

Uma tendência constatável é que cada vez mais os artistas se parecem com as pessoas comuns, o que não acontecia há um tempo atrás, quando muitos orgulhavam-se em ser sósias de seu ídolo. No mundo da musica a situação é bem semelhante, determinados grupos vestem-se de preto ou de qualquer outra cor a fim de identificar-se com o ídolo e o tipo de musica que escutam. Hoje estamos presenciando a moda EMO, onde cabelos escorridos, tênis, pulseiras, colares e amarradores de cabelo ‘xadrez’ juntamente com um pseudo sentimentalismo aflorado fazem o gosto da juventude.
“Amanhã será o que? Sé é que haverá um amanhã…”

Mas segundo o autor essa situação não é de toda forma ruim, é certo que a mídia apresenta-nos informações fragmentadas, porém serve como vetor de afirmação da individualidade. Nos informa pouco, mas nos informa. Deixa todos mais ou menos a par de certos acontecimentos, fomenta o debate televisivo.

Propondo, sob formas múltiplas, modelos de auto-realização existencial e mitos centrados na vida privada, a cultura de massa foi um vetor essencial do individualismo contemporâneo.(p222) Todas essas fontes de informação, mesmo que superficiais, levam o individuo a observar-se, a preocupar-se mais com a sua saúde, beleza, corpo… Enfim transforma o ser, pois a informação dissolve a força das convicções e torna os indivíduos permeáveis, prontos para abandonar sem grande dilaceramento suas opiniões, seus sistemas de referência. (p229) Tudo isso sob a lei da ordenação e do divertimento, da velocidade, da informação instantânea.

Então a ‘moda mídia’, a ‘arte televisiva’ não são tão ruins assim, mas vale lembrar a opinião de um professor que para mim serve de referencia: “quem não pensa sobre as coisas que estão ao seu redor, vira escravo dessas coisas.”

Fonte: Só Colunistas - Colunista Alexandre Luiz Trombelli

10 comentários:

  1. É mesmo, verdade, concordei porque não sou escrava da moda, nem od que vivem falando na mídia sobre o que devemos ou não vestir, comprar, ter.
    Eu gosto de roupas e acessórios que são tendência, mas também tem muita coisa que não é e curto demais!

    Cada um deve ser bem equilibrado quanto a isso, senão acaba se estressando e se preocupando com tão pouco, sendo que a vida é tão mais!

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    1. Jane
      Se dermos ouvido pra tudo, nos tornamos pessoas fúteis e sem valor.
      Viver é muito mais que isso. É superar-se sempre!
      Beijos

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  2. Gostei do seu post amiga!
    Bjs

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  3. Adorei e concordo qdo se diz: “quem não pensa sobre as coisas que estão ao seu redor, vira escravo dessas coisas.”

    bjos Linda!!!!

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  4. Amiga, eu mesma confesso que, sou escrava da mídia, da TV.. tudo q é tendência.. eu quero ter.. mesmo q eu tenha um celular atual, se lança outro mais recente, eu quero ter.. sapatos, roupas, acessórios da moda, acho q não tem alguém q não queira estar dentro dos padrões impostos pela sociedade mesmo que, estes determinados padrões não sejam saudáveis ao psicológico humano! Quem não quer ter um corpo perfeito igual aos das dançarinas/apresentadoras e atrizes? eu quero muito e acho até feio confessar isso porém, é a realidade!!! Somos cada dia mais aprisionados ao que a sociedade nos impõe e, isso é muito triste e preocupante :(

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    1. Berta, com o passar dos anos, amadurecemos e vemos o mundo de outra forma. Fica tranquila que as coisas são assim mesmo.
      Beijos

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  5. Jamais eu seria escrava de algo, pois odiaria me tornar uma pessoa fútil
    Por só seguir o que a mídia impõe !
    Gosto muito de pensar sobre as coisas e tirar minha própria conclusão.

    E tenhooo ditooo..
    hahahahaa

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    1. Eu sou exatamente igual. Não aceito nada que não me agrade e não me faça feliz. Comigo não tem vez :D
      Beijos

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