sexta-feira, dezembro 20, 2013


A chegada do segundo filho

A chegada do segundo filho

Você vai ganhar um irmãozinho!

Aí está uma frase que pode soar para a criança pequena como algo parecido com “vamos receber um ET em casa” ou alguma coisa próxima à categoria do incompreensível, do “não há registro”. Este assunto precisa se transformar, imediatamente, em um canal de conversas, indagações e mudanças planejadas e compartilhadas, umas mais e outras menos visíveis. São transformações inevitáveis para a própria criança e para os demais envolvidos na cena. 

Só para se ter uma ideia de como funciona a cabecinha de uma criança de cerca de uns três anos, certa vez, uma delas disse, bem baixinho, a sua mãe: “vou te contar um segredo e não conta pra ninguém: minha professora vai ter um bebê”. Acontece que a referida professora já estava no finalzinho da gestação. Este é o mundo infantil repleto de fantasia, de uma maneira toda própria de se imaginar e de se tentar entender tanta novidade ao seu redor. A sorte é que a criança costuma expressar os seus pensamentos e os seus sentimentos, e é bom que seja assim. Mas é essencial que exista uma escuta competente. Qualquer evento pelo qual passe a família, tanto em situações de ganho quanto de perda, certamente funcionará como um trampolim para o crescimento intelectual, afetivo e social da criança. O ambiente ao seu redor precisa estar atento e acolhedor para favorecer uma direção saudável a este crescimento.

Dizem que não há nada melhor do que um irmão para preparar alguém para a vida. Seja na vivência das rivalidades, seja no aprendizado das partilhas. Habilidades estas que o mundo vive a exigir, e um irmão pode ser um bom exemplo para tudo isso. Mesmo que, de início, ele arrisque tomar o lugar de alguém, que vinha reinando confortavelmente na família. E que vai precisar doar até o próprio ninho para ganhar uma cama nova, pois, da noite para o dia, constata-se que o filho cresceu e que já virou um rapazinho ou uma mocinha. “Mas até ontem eu era o bebê dessa casa, gente!”. Os pais que, antes, podiam demonstrar dedicação exclusiva ao primogênito, parecem muito ocupados com um tanto de coisa ao mesmo tempo: consultas, exames e mudanças na casa, no orçamento e até mesmo no corpo da mamãe.

Pode-se imaginar, então, o que esta criança poderia dizer, caso já tivesse uma certa clareza da situação: “Gente, sinto algo de muito estranho no ar, quando vocês dizem que o meu irmão ou irmã que está pra chegar, vai ser um cara legal e que vai brincar muito comigo. Sei não. Por enquanto, ele só está ganhando as minhas roupinhas e os meus brinquedos, e olha que ele ainda nem chegou. Portanto, peço que tenham um bocado de paciência comigo, pois vou sentir muito, mas muito ciúme mesmo dele. Aliás, já começou. Às vezes, eu vou demonstrar este ciúme voltando às fraldas ou ao bico. Ou ainda vou querer me aconchegar de madrugada bem no meio da cama de vocês. Mas nada de anormal, nada que traga maiores preocupações, pois vai passar e é preciso que passe bem. E, logo, logo, como dizem por aí, estarei na faculdade! Mas, enquanto isso, vou precisar e muito de um precioso tempo e de boas companhias para compreender tudo que está se passando e para que eu possa expressar com confiança os meus sentimentos. Bem, sei que tudo isso vai acabar por me fazer uma pessoa melhor. Aliás, ter um irmão, segundo dizem os especialistas, vai apressar o aparecimento de inúmeras capacidades minhas, sendo a mais importante de todas, certamente, o aprendizado da generosidade”.

Porta-voz: Professora de Psicologia da Faculdade Pitágoras de Belo Horizonte, Maria Cristina Fellet Guimarães.


10 comentários:

  1. MUITO BOM,MAS AINDA TENHO QUE TER O MEU PRIMEIRO...BEIJO

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    1. Tudo na hora certa, Tati :-)
      Beijossss

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  2. Edi amei o texto!!!!!!!!!!
    Como estou no segundo filho consegui enxergar o ciumes do mais velho e de repente, nossa como ele cresceu mas necessita de muito carinho e atencao, principalmente depois que ganhou um irmaozinho.
    Bjos

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    1. Olá, Dani
      Ele ainda tem ciúmes a ponto de bater no irmãozinho ou já passou essa fase? Eles se entendem e brincam juntos?
      Beijos

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    2. Agora ele esta bem mais tranquilo e carinhoso com o irmaozinho mas de vez em quando, ainda rola um estresse entre eles, normal ne, coisas de irmaos....kkkk
      Acredita que agora o mais velho aprendeu a dar banho no irmao, tao bonitinho....hehe....mas eu fico junto, claro, de olho para ver se esta fazendo direitinho, ensinando a nao deixar cair shampoo no olhinho, essas coisas....rs

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    3. Ai meu Deus! Que coisa mais liiiiiinda, Dani! Imagino a cena. Que amor de irmão, hein? Deus abençoe.
      Beijos

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    4. Amemmmmmm!!!!
      Desejo que eles se tornem grandes amigos qdo crescerem e que esse amor seja cada vez maior!
      Bjos

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    5. Amém, Dani! Tenho certeza de que serão sim <3
      Beijosssss

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  3. hahaha jé engraçada a reação deles, meus sobrinhos não gastam muito dessa notícia. Beijos

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    1. Verdade, Ruthinha. Eles sentem-se ameaçados….rs
      No caso do Dudu, foi completamente diferente. Está sonhando com o nascimento da rosinha…. rsrsrs
      Beijos

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