quinta-feira, agosto 07, 2014


História de uma mãe

Por Luiza Pinheiro - Pedagoga da Clínica Base

Uma mulher encontra um bom rapaz e eles se apaixonam. Então, resolvem se casar. A mulher fica grávida. Dentro da barriga dela tem um embriãozinho que logo vai se tornar um bebê. Ele, aos poucos, vai crescendo e se desenvolvendo, mas bem devagar, dando tempo para a mulher se acostumar com aquela presença. Nesse momento aquela pessoinha bem pequenininha é uma parte do corpo da mulher, está dentro dela e com ela divide a comida, as sensações, e a vida. E de repente, aquela mulher não é mais só mulher, ela agora é, também, MÃE. 

A partir desse momento tem outra pessoa que depende dela - e depende inteiramente! -, irá depender dela para sobreviver por pelo menos dois anos -contando o período de gestação e os primeiros meses de vida. Agora, todas as atenções se voltam para o bebê! Tanto da mãe - “o que devo comer na gestação para nutrir melhor meu bebê?”, “como será quando ele nascer?”, “será que vai ter cólicas?”, “vou arrumar as roupinhas e o quartinho mais lindos pra ele!” - como de todas as outras pessoas que a rodeiam - “que barrigona bonita!”, “é menino ou menina?”, “quando vai nascer?”, “como vai se chamar?”. Aquele bebê é a pessoa mais importante do mundo e merece ser muito bem recebido por todos. E a mulher, que agora assumiu o papel principal de mãe, encabeça a tarefa de fazer o filho se sentir bem e confortável sempre. 

Mais tarde o bebê cresce um pouco e já não depende inteiramente da mãe, já não demanda atenção em tempo integral como antes. A mãe vai, aos poucos, se adaptando a isso. Vem então a infância, e aquela ‘criaturinha’ que antes era apenas um pedaço do corpo da mãe, começa a fazer questão de mostrar que é uma pessoa com gostos e vontades próprias. A mãe vai tentando se acostumar. Aí chega a adolescência, fase sofrida da vida, não só para o adolescente, como também para a mãe. Nessa época o filho não tem paciência para perguntas nem para regras, quer liberdade, independência e, por isso, acaba se afastando um pouco da família. Essa é uma das partes mais difíceis! Quem um dia já esteve dentro do corpo da mulher e mesmo fora dele dependia dela e contava com ela o tempo inteiro, agora exige uma distância, exige seu próprio espaço. A mãe, tem que se acostumar com aquilo. Tenta entender que o filho está crescendo e que a vida é assim mesmo. Será que é fácil para ela? Finalmente ela se acostuma com aquela nova forma de convivência com seu ‘bebê’ – que já é praticamente um adulto agora – mas logo chegam outras mudanças nessa relação. O filho, que a essa altura já se formou na faculdade e já trabalha, anuncia que vai sair de casa, vai morar sozinho. Anos e anos cuidando, convivendo e se preocupando com aquela ‘criaturinha’ e ela abandona o ninho assim, de uma hora pra outra. Parece que foi ontem que ele era apenas um bebê indefeso. Agora a casa vai ficar vazia, a mãe, depois de tantos anos, tem que se desapegar daquela rotina de cuidados com o filho, tem que se lembrar de como é a vida sem a presença constante dele, relembrar como era ser mulher, só mulher. Nesse momento, a mulher, já mais velha, madura e experiente, tem a oportunidade de voltar novamente a olhar para si (coisa que as mães muitas vezes deixam de lado – em maior ou menor proporção - quando um filho entra em cena). 

Essas mudanças na relação da mulher consigo mesma e com os filhos são inevitáveis e necessárias. Mas será que elas são fáceis? Será que alguma mãe, desde que o mundo é mundo, já esteve preparada para isso? Não parece tarefa difícil demais deixar os filhos partirem? Penso que esta história, com suas variações, é a história da maioria das mulheres que se torna mãe: amar, criar e libertar. Fico me perguntando como é para as mães essa tarefa.



4 comentários:

  1. Bem que falam que a gente tem que criar os filhos para o mundo.... mas que tarefa difícil....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Li. Difícil mesmo. E olha, há quem diga que não vai dividir os filhos com o mundo e isola a criança numa bolha. Já pensou?
      Beijosss

      Excluir
  2. Sei que os fhos crescem, amadurecem e procuro sua propria independencia, mas eu nao consigo imaginar ficar longe dos meus bebes!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ahahahah, super normal, amiga. Eu também fico insegura mas tudo acontece na hora certa e o tempo é responsável por amenizar todas as situações imagináveis ou não. Fica tranquila que ainda falta chão pra isso acontecer.
      Beijos

      Excluir

Obrigada por comentar! Em breve, retornaremos! :-)

Siga no Google +

 
Copyright 2013 Mamães Vaidosas por Edi Mariano