quinta-feira, setembro 18, 2014


Mulheres desesperadas: em busca de um ideal

Por Paula Melgaço - Psicóloga da Clínica Base

“Desperate Housewives” (Donas de casa desesperadas), me deparo com esse nome e resolvo me aventurar no desespero das personagens dessa série de TV. 

Mulheres de um lugar aparentemente perfeito, com vidas aparentemente perfeitas, mas que escondem questões que perpassam a vida de muitas mulheres, como nós. Diante do suicídio de uma de suas amigas, que para elas era o exemplo de mulher bem sucedida que conseguia manter várias identidades (mãe, mulher, dona de casa e amante), o grupo de vizinhas de Wisteria Lane passa a se interrogar sobre a suposta perfeição de suas vidas e de suas famílias. Afinal, se suas vidas fossem tão perfeitas assim, porque sua amiga desejaria morrer? 

Lynette, em especial, se questiona e se culpa por não ser uma mãe tão eficiente e competente como era quando ainda desempenhava uma carreira profissional de sucesso. Satisfeita com o rótulo de empresária bem sucedida, não aceita suas limitações enquanto mãe e tenta alcançar o mesmo patamar que tinha enquanto profissional nos seus afazeres domésticos, no cuidado com os filhos e no zelo com o marido. Contudo, sente-se frustrada por não cumprir um papel idealizado por ela mesma e começa a fazer uso de Ritalina com a esperança de que a medicação ajudaria a ser tornar uma dona de casa exemplar. Aí, começa o desespero de Lynette: a busca por um ideal de mãe e mulher perfeita! 

Vivemos numa época de suposta liberdade feminina. A mulher pode escolher quem quer ser e como o fará. Mas, mesmo assim, ainda somos fisgadas por ideais do século XIX que se somam às expectativas da nossa cultura. Tudo isso resulta numa equação mais ou menos assim: ser uma dona de casa perfeita + ser uma boa esposa (sexy e magra) + ser uma profissional bem sucedida + ser uma mãe exemplar! Qual seria o provável resultado dessa soma? Mulheres desesperadas em busca de um ideal!! 

Como diria Mário Quintana: 

“Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.”

Será esse o caminho da mulher moderna? Será essa a sua escolha?


4 comentários:

  1. Adorei o post, ainda mais o texto de Mario Quintana!!!!

    Acho que sempre corremos atras de tudo para que seja perfeito e as vezes nos esquecemos de que pequenas coisas, simples ou singelas nos transmite tanta felicidade tanto quanto outros bens maiores.

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    1. Dani, arrasou nas palavras! Nós sempre queremos mais e mais e esquecemos que o muito muitas vezes é nada, e o pouco é tudo! Eu refleti demais e realinhei algumas idéias e pensamentos por aqui!
      Beijossss

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  2. Acho que se não sonharmos, não desejarmos MAIS, a vida não tem sentido, o MAIS não só no sentido material não, mas buscarmos sempre o MELHOR.... Adorei o texto do Mário Quintana, já copiei aqui rsss....

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    1. Li, ele arrasou no texto, né? Copia mesmo e aplica! rs
      Beijossss

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Obrigada por comentar! Em breve, retornaremos! :-)

 
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