quinta-feira, setembro 28, 2017


Diversidade X Vieses Inconscientes

Lembro-me que quando criança, era chamada constantemente de "palmito" no colégio. Tal ato dava-se em função de ser muito branca (transparente), e ter as pernas extremamente finas. Não passava sequer um dia, sem sofrer uma ofensa, ou ser deixada de fora de alguma atividade por conta disso. 

Com tal situação, acabei me isolando, e ao invés de participar de grupinhos colegiais, eu me isolava do mundo, e no meu quarto vivia em função da literatura. Ali era o meu porto seguro, era o meu espaço, e ao contrário de sair ofendendo as pessoas, eu mergulhava em cultura e conhecimento. Hoje, consigo me visualizar ali, naquela situação. Eu poderia ter crescido e me tornado uma pessoa revoltada, ou naquela época, sair respondendo as ofensas com outros tipos de ataques ou chiliques. Mas não o fiz! A minha solução e saída para tais situações, era o isolamento e o silêncio. Para mim, fazia mais sentido me ocupar com coisas que me faziam feliz, do que gastar energia com brigas e/ou discussões. E se com 12 anos eu já tinha tal pensamento, hoje, vejo o quanto fui corajosa, resiliente e pacífica. Mas infelizmente, nem todo mundo pensa ou age assim. E não estão errados! O que aconteceu comigo no "ontem", hoje faz-se de forma muito pior, e numa proporção tão grande e desenfreada, que se não houver um basta, o caminho será ainda mais triste e devastador. 

Atualmente, o desrespeito é tanto, que quando falamos de diversidade, automaticamente pensamos em preconceito, padrões estabelecidos e vieses inconscientes. E não somente por parte de pessoas, mas por marcas, que priorizam imagens viáveis ao seu contexto, deixando de fora, toda e qualquer pessoa, que possa a vir gerar polêmica, pela sua opção sexual, cor, condição social, histórico de vida, currículo e inclusive pela maternidade. Sim, porque para muitas marcas, mulheres que têm filhos, fogem dos padrões empresariais, uma vez que estão propicias a faltar, a ter imprevistos, e assim não ter uma perspectiva promocional a longo prazo. Mas e aí, este pensamento faz parte do nosso contexto atual? De forma alguma! E não somente está ultrapassado, como outras GRANDES MARCAS, assumiram esta bandeira, e tem veiculado de forma intensiva, campanhas e manifestos a favor da diversidade! 

Sim, porque não há um padrão para beleza, para inteligência, para eficiência e/ou eficácia, e muito menos para que possa nos enquadrar num cargo específico, por ser homossexual ou um "palmito", revendo o meu próprio contexto e cor. Eu continuo sendo muito branca, mas nem por isso deixei de evoluir e ter a minha vida. Muito pelo contrário!

Cada ser é único, e dentro da sua vivência e experiência, pode dar o seu melhor, e fazer acontecer em qualquer situação. Seja ela, um exemplo de determinação, de autocontrole, de amor próprio e autoestima, ou pela grande bagagem profissional, especialização, domínio de línguas e educação. Todos nós merecemos respeito, não somente pela vida que escolhemos ter, mas pela forma que viemos ao mundo. Se somos branquelos, ruivos, negros, pardos, hetero ou homossexuais, isso condiz ao nosso "EU". E partindo do princípio que o respeito faz-se único para toda e qualquer situação, não queremos apenas sermos lembrados pelo nosso estereotipo ou opção sexual, mas sim, pelas qualidades que nos destacam e nos evidenciam ao longo da nossa vida, bagagem esta, que ficará para os nossos, sejam estes nossos filhos de sangue, ou aqueles que a vida nos deu! Pode ser um amigo irmão, um animalzinho de estimação, ou uma empresa que nos acolheu na hora que mais precisávamos de apoio. Sempre haverá uma porta aberta para todos nós. Basta não ter medo de bater e entrar, e ter orgulho de quem somos e podemos nos tornar! Se ontem fomos alvos de ataques e ofensas, hoje podemos ser pessoas ainda melhores por um futuro melhor!

Beijos


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Copyright 2013 Mamães Vaidosas por Edi Mariano